quinta-feira, 3 de julho de 2008

Cantarei



Cantarei

E no fim de cada dia ...
Cantarei pra minha alma
Cada hora que possa estender-se
Que ela possa comigo alegrar

Aos meus últimos desejos...
Deixados na minha face alargada,
Cantarei pra ti ...minha vida.
Cantarei ao corpo frio, estirado.

Na minha interrupção involuntária
De quem fiz comigo caminhar, rir e chorar...
A boca malvada, no trépido instante,
Cantarei teus desejos, que antes me fez beijar.

Arrependido talvez... cantarei pra me alegrar
A tua voz calada, em silêncio pra me escutar,
Como fim cristalino, preciso e imaculado.
Cantarei como nunca... ao corpo frio, estendido.

Mórbido sem vida, ao meu lado,
Num dueto, cantarei com meu algoz,
Nos traços escritos da minha sorte.
Lido, relido na palma da minha mão.

Cantarei... no meu último adeus !
Olharei por certo, com pesar ou desprezo
Um corpo descoberto que não mais me servirá
Cantarei com minha alma, todo o silêncio,
Da minha despedida!


(Autor: Wolney Tavares)

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