
"Fiz de minha vida um enorme palco, sem atores para a peça em cartaz.
Sem ninguém para aplaudir esse meu pranto que vai pingando e uma poça no palco se faz.
Palco triste é esse meu mundo desabitado, solitário me apresento como astro.
Astro que chora, ri e se curva à derrota. E derrotado, muito mais astro me faço.
E todo mundo reparou no meu olhar triste, mas todo mundo já estava cansado de ver isso.
E todo mundo se esqueceu de minha estreia, pois todo mundo tinha um compromisso.
Mas um dia meu palco escuro continuou e muita gente curiosa veio me ver.
Viram no palco um corpo já estendido. Eram meus fãs que vieram para me ver morrer.
Esta noite foi a noite em que virei astro. A multidão estava lá, atenta como eu queria.
Suspirei eterna e vitoriosamente, pois ali o personagem nascia.
E eu a todo mundo com minha solidão morria".
Sandra Mara Herzer
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