sábado, 4 de outubro de 2008


Arcano do ocaso

No sortilégio da noite, mata e beija.
Transborda em mágoas e chora
Chora de dor, chora de amor.
E mata-se por várias vezes

Mata saudade, mata bondade,
Desperta prazer e vaidade, sobejam-se.
Num ato que finge ser, de puro amor.
Que se pôde beijar em dor!

Pela noite adentro, traquejam.
Grandes arcanos felinos.
Roubam o que há de ingênuo fadário
Matam o que não devia morrer.

Pelas noites se vão, em pirilampos,
Praticando turbulentas maldades
Rasgando suaves e dignas bondades
Assim, pela noite ainda vai dar!

Nos mistérios que a noite revela,
Estampa, tiram na sorte quem vai,
Transformar inocência em maldade
Chora de dor, faz pensar que é amor.

Numa noite, sem precedentes,
Fizeram da sua candidez, nudez fatal.
Sem piedade, por pura maldade,
Roubaram e mataram seu amor

Segredos, da noite sem fim,
Por onde rondavam virtudes
Decepou-se para sempre
Num gesto de pura crueldade.

Mataram meu amor
Sem nenhuma piedade!

Wolney Tavares (Meu Poeta preferido)

Nenhum comentário: