
Arcano do ocaso
No sortilégio da noite, mata e beija.
Transborda em mágoas e chora
Chora de dor, chora de amor.
E mata-se por várias vezes
Mata saudade, mata bondade,
Desperta prazer e vaidade, sobejam-se.
Num ato que finge ser, de puro amor.
Que se pôde beijar em dor!
Pela noite adentro, traquejam.
Grandes arcanos felinos.
Roubam o que há de ingênuo fadário
Matam o que não devia morrer.
Pelas noites se vão, em pirilampos,
Praticando turbulentas maldades
Rasgando suaves e dignas bondades
Assim, pela noite ainda vai dar!
Nos mistérios que a noite revela,
Estampa, tiram na sorte quem vai,
Transformar inocência em maldade
Chora de dor, faz pensar que é amor.
Numa noite, sem precedentes,
Fizeram da sua candidez, nudez fatal.
Sem piedade, por pura maldade,
Roubaram e mataram seu amor
Segredos, da noite sem fim,
Por onde rondavam virtudes
Decepou-se para sempre
Num gesto de pura crueldade.
Mataram meu amor
Sem nenhuma piedade!
Wolney Tavares (Meu Poeta preferido)
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